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11/02/2014

Filhos da ex-jogadora Isabel querem manter nos Jogos Rio 2016 tradição Olímpica da família no vôlei de praia

Maria Clara, Pedro e Carol seguem os passos da mãe e sonham com participação nos Jogos

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Irmãos Pedro, Maria Clara e Carol compartilham o sonho de disputar os Jogos Rio 2016 (Foto: Rio 2016/Alex Ferro)

O vôlei de praia e o espírito Olímpico correm no sangue dos irmãos Pedro Solberg, Maria Clara, Carol. Filhos da ex-jogadora Isabel, ícone do voleibol brasileiro na década de 80 e campeã mundial nas areias em 1994, os cariocas seguem os passos da mãe. E, bem breve, esperam aumentar o número de atletas Olímpicos da família. Os três têm um sonho em comum: disputar os Jogos Rio 2016. (Veja galeria de fotos do treino das duplas de vôlei de praia em Ipanema)

Mãe de quatro filhos, Isabel, hoje com 53 anos, viu três deles seguirem sua trajetória no esporte após 30 anos de carreira. Integrante da seleção brasileira de voleibol em duas edições Olímpicas, sempre esteve cercada pelos filhos, o que acabou contribuindo para a opção deles pelo esporte.

“A influência dela na nossa escolha foi simplesmente pelo fato de o vôlei sempre ter estado muito presente nas nossas vidas. Desde pequenos, acompanhávamos ela de perto em muitas competições e viagens e sempre fomos muito ligados ao esporte. Ficávamos brincando de bater bola em casa e na escolinha que ela tinha na praia e nossa opção por essa carreira acabou sendo muito natural. Mas ela sempre nos ofereceu várias outras possibilidades, como a música e o balé, e nos deu total liberdades para decidirmos o nosso caminho. Quando percebeu que tínhamos feito a nossa escolha, seguiu nos ajudando, passando toda a vivência dela, como faz até hoje”, comenta Maria Clara, de 30 anos.

E o apoio se dá das mais diversas formas. Desde o início da carreira das filhas, que hoje formam dupla nas areias, Isabel já foi parceira e técnica das duas. Atualmente, faz parte da equipe técnica dos filhos e, sempre que pode, acompanha os treinos nas areias de Ipanema, na altura da Rua Garcia D’Ávila, tradicional point do esporte no litoral do Rio de Janeiro.

"Nossa relação sempre foi muito natural. Tenho muito orgulho deles e admiro as pessoas que são. Desde que eles começaram a jogar, me mantive presente, como faço em todas as outras áreas da vida deles também. O vôlei é só mais um laço que nos une. Quando o treino acaba, conversamos sobre muitos assuntos, porque  a vida é muito maior que uma quadra de vôlei. Somos muito sinceros e isso nos ajuda bastante a lidar com as dificuldades que surgem", revela Isabel.

Mesmo participando de dois programas de televisão, Isabel ainda consegue tempo para acompanhar os treinos dos filhos (Foto: Rio 2016/Alex Ferro)

 

Pela seleção brasileira, Isabel disputou as edições Olímpicas de Moscou 1980 e Los Angeles 1984. Apesar de não ter passado do sétimo lugar nas duas ocasiões, a ex-jogadora compartilha com orgulho suas lembranças com os filhos.

“Apesar de não ter chegado a disputar uma medalha, ela fala bastante conosco das participações Olímpicas que teve. Na primeira, em 1980, ela era muito jovem, tinha apenas 19 anos. De Los Angeles, em 1984, comenta muito sobre a derrota por 3 a 2 para os Estados Unidos, que eram um dos grandes times da época, depois de o Brasil estar ganhando por 2 a 0. Esse jogo foi na véspera do aniversário dela e marcou bastante”, lembra Carol, de 26 anos.

E os genes vencedores da ex-atacante passaram adiante. Pedro, que desde janeiro joga ao lado do lendário Emanuel, foi o mais jovem campeão do Circuito Mundial, em 2008, aos 22 anos, e é o atual campeão brasileiro e vice-campeão mundial. No último fim de semana, venceu a sétima etapa do Circuito Brasileiro, disputada em Natal (RN), conquistando seu primeiro título ao lado de Emanuel. Maria Clara e Carol ficaram em quarto lugar na competição. Juntas, já alcançaram a segunda posição no Circuito Brasileiro, em 2007, e no Mundial, em 2013.

O processo de classificação Olímpica do vôlei de praia terá início apenas em 2015, e os irmãos contam com as experiências passadas para alcançar as inéditas vagas. As irmãs Salgado participaram do processo classificatório em 2008 e ficaram fora em 2012, quando Carol estava grávida do filho José. Pedro foi integrante da terceira melhor dupla brasileira nos rankings Olímpicos de 2008 e 2012, mas ficou fora devido ao limite de duas duplas por país.

“Disputar e ganhar os Jogos Olímpicos é um sonho que tenho desde criança. Poder viver este momento tão importante jogando aqui no Rio de Janeiro seria indescritível, muito especial mesmo. Já disputei a classificação Olímpica duas vezes e não ter conseguido participar de Pequim e Londres me abateu muito. Mas estas experiências me ajudaram a crescer e tenho certeza que desta vez vou saber lidar melhor com as dificuldades que surgirem. Não vai ser fácil, mas quem persevera alcança seus objetivos”, afirma Pedro, de 27 anos.

Centro de treinamento da família, na praia de Ipanema, tem visual exuberante (Foto: Rio 2016/Alex Ferro)

 

Mãe coruja, Isabel não esconde que seria um sonho ver os três filhos em ação nas areias de Copacabana em 2016. Mas, até lá, ela sabe que há um longo caminho a ser traçado.

"É claro que estou na maior torcida para que os três se classifiquem, e eles têm condições de conseguir, mas nunca fui muito de ficar pensando em uma coisa que ainda não aconteceu. O que digo para eles é que valorizem mais o processo do que o objetivo final, por maior que ele seja. Disputar os Jogos Olímpicos é o sonho de todos os atletas. O importante é acordar todos os dias com disposição, treinar com prazer sempre e, no final, ter a satisfação de saber que fez o seu melhor. Esse dia a dia é o que fortalece os atletas", explica.

E, na disputa pelas vagas, Pedro, Maria Clara e Carol, contarão, integralmente, com a força da família. Inseparáveis, treinam diariamente no mesmo local e são presença certa nas arquibancadas das principais competições do mundo quando um dos irmãos está em quadra.

“Foi uma sorte muito grande termos escolhido a mesma profissão, sermos bem sucedidos nas nossas carreiras e podermos estar sempre juntos, porque o esporte normalmente acaba afastando um pouco os atletas das suas famílias. É realmente muito especial podermos conhecer o mundo juntos, torcer e dar força um para o outro, porque nessa rotina de torneios e viagens poder contar com este apoio faz toda diferença para nós”, finaliza Maria Clara.

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