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25/06/2013

Depois de cinco finais de Grand Slam, Carlos Bernardes busca a primeira decisão Olímpica

Árbitro brasileiro participou das últimas três edições dos Jogos e já “alcançou” a semifinal. Pioneiro, ele lembrou o início e os melhores momentos da carreira

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Bernardes observa a "repórter" Martina Navratilova e o suíço Roger Federer após partida válida pelo US Open 2006 (Foto: Arquivo pessoal)

Desde 2001, quando Gustavo Kuerten imortalizou o seu nome após conquistar o terceiro título no saibro de Roland Garros que um tenista brasileiro não disputa uma final de um torneio de Grand Slam. Em setembro de 2006, Carlos Bernardes quebrou parcialmente essa escrita. Ele não entrou em quadra em busca de um troféu, mas fez história ao se tornar o primeiro árbitro sul-americano escalado para trabalhar em uma decisão dos quatro maiores torneios de tênis do mundo.

Um dos profissionais de arbitragem mais respeitados e reverenciados da atualidade, Bernardes alcançou o ápice na sua carreira. Depois de mais de 20 anos como árbitro internacional e cinco finais de Grand Slam, falta apenas a cereja no bolo para seu currículo ficar completo: uma final dos Jogos Olímpicos. E nada melhor do que realizar o sonho no seu país de origem. Em entrevista ao site rio2016.com, o árbitro de 48 anos conta um pouco da sua trajetória no esporte e relata alguns dos momentos mais marcantes da carreira.

Rio 2016™: Quando e onde começou a jogar tênis e como começou na carreira de árbitro?
Carlos Bernardes: Comecei a jogar em São Caetano do Sul. Eu e meus amigos pulávamos o muro do antigo Lauro Gomes (complexo poliesportivo) e jogávamos no fim de semana. Os donos da escolinha guardavam as redes, mas a gente colocava um cavalete de atletismo no meio da quadra e jogava. Um dia a mulher encarregada esperou a gente pular o muro e, para nosso espanto, nos convidou a jogar como as outras pessoas entrando pela porta principal (rs). Comecei a treinar neste local e quando meu pai morreu, aos 16 anos, comecei a dar aulas para ajudar em casa. Eu adorava dar aulas, mas também trabalhava como árbitro e chegou uma hora que tive que escolher. Meu primeiro torneio profissional como árbitro foi uma Federations Cup disputada no Pinheiros no final da década de 80. O tênis mudou a minha vida.

Rio 2016™: Faz um resumo da sua carreira. Qual foi a sua primeira grande final?
CB: Tenho mais de 20 anos de carreira considerando juiz de linha também. Minha primeira grande final foi em 2002, em Xangai (CHN), quando Lleyton Hewitt e Juan Carlos Ferrero se enfrentaram na Masters Cup. Desde então, fiz outras três no mesmo Masters e mais cinco finais de Grand Slam: três de simples (Wimbledon 2011, US Open 2006 e 2008) e duas de duplas: US Open 2010 e Austrália 2013.

Rio 2016™: E Jogos Olímpicos? Qual a sua melhor lembrança? E a partida mais emocionante que trabalhou?
CB: Trabalhei nos Jogos de 2004, em Atenas; 2008, em Pequim; e em Londres, em 2012. Fiz uma semifinal em 2008 entre James Blake e Fernando Gonzalez, foi um bom jogo. Mas as maiores emoções foram as duas aberturas: em Londres e Pequim. São espetáculos inesquecíveis, espero que o Brasil faça muito bem o seu papel também.

Em 2011, Bernardes vestiu o tradicional terno de Wimbledon na decisão entre Djokovic e Nadal (Foto: Arquivo pessoal)

Rio 2016™: Conta um pouco mais sobre essa experiência?
CB: Nós árbitros não desfilamos, só assistimos. Mas temos excelentes lugares próximos aos vários atletas reconhecidos mundialmente. A Federação Internacional de Tênis (ITF) nos dá um ingresso para a abertura e outro para algum esporte. Em 2004, não assisti ao desfile, mas consegui acompanhar provas da natação, nado sincronizado, ginástica artística, voleibol e atletismo. Em Pequim, a abertura contou com coisas típicas da China e uma coreografia fantástica. Assisti ao voleibol também. Um jogão do Brasil. Já Londres foi muito bonita a abertura, eles se organizaram bem. Os jogos de tênis foram em Wimbledon e foi muito legal fazer parte, uma vez que acho que nunca mais veremos Wimbledon com tantas cores.

Rio 2016™: Os atletas do tênis se tornaram ídolos além do esporte. Como é essa convivência com lendas vivas como Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic?
CB: Bem, além de ídolos, não podemos esquecer que também são pessoas comuns como qualquer outra que conhecemos. Eles são especiais na carreira que decidiram se dedicar. É uma convivência normal.

Rio 2016™: Chegou a trabalhar em partidas do Guga? Era diferente apitar um jogo dele?
CB: Sim, fiz muitos jogos dele. Até finais. Muito carisma em quadra. Ele era tão querido que dava para sentir uma reação diferente do público, uma energia diferente. Não é fácil explicar, mas você pode sentir isso também quando entrevista diferentes pessoas não? Algumas, você sente uma energia diferente.

Rio 2016™: E como começar no esporte? Assim como em qualquer profissão você deve ter encontrado muitas dificuldades.
CB: É realmente difícil como toda carreira, mas esta talvez seja ainda mais. Você tem que se deslocar pelo mundo para ter algum destaque e ser reconhecido. Esta é a parte mais difícil porque você tem que ter muita vontade pois vai passar muito tempo longe de família e amigos.

Rio 2016™: Você quebrou uma barreira importante, conseguindo se tornar o primeiro sul-americano a apitar uma final de Grand Slam. Como foi esse momento?
CB: Foi um momento muito especial. Um dia antes de sair a programação das quartas de final, o chefe dos árbitros me chamou na sala dele e disse: há jogadores americanos, espanhóis, franceses e um britânico, então você vai fazer a final. Assim mesmo. Eu não acreditei, fiquei sem ação.

 Bernardes tieta o líbero Escadinha, dono de três medalhas em Jogos Olímpicos: uma de ouro e duas de prata (Foto: Arquivo pessoal)

Rio 2016™: Não só não acreditava, como chegou a apostar que isso não aconteceria. Qual foi essa aposta? Chegou a cumpri-la?
CB: (rs) Como você sabe desta aposta? (rs). Eu de fato não acreditava e apostei com a juíza croata Marija Cicak que seria o seu empregado por três dias se isso acontecesse. Ela tinha me dito que eu seria o árbitro da final e eu disse você esta maluca. Felizmente, perdi essa aposta (rs). Mas ainda não paguei. Estou devendo.

Rio 2016™: Existem categorias na arbitragem mundial? Você é do primeiro nível desde quando? Quantas pessoas no mundo são do primeiro nível e quantos são esses níveis?
CB: Sim, a arbitragem mundial é dividida em cinco categorias: Gold Badge, com cerca de 25 pessoas ao redor do mundo. Silver, com cerca de 50, Bronze, White e Green. Juízes internacionais são de bronze para cima. Sou Gold Badge há mais de 20 anos.

Rio 2016™: Quais as suas considerações sobre a primeira edição dos Jogos Olímpicos na América do Sul? Quais serão os benefícios que os Jogos vão trazer para o esporte brasileiro?
CB: É uma honra e uma imensa responsabilidade para o Brasil uma vez que estaremos representando toda a América do Sul. Os Jogos de 2016 serão um momento único. Acho que só temos a ganhar porque vamos mostrar o nosso belo país para o resto do mundo. Organizar bem os Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo será muito importante para todos nós.

Rio 2016™: O que você tem a dizer a todos que vão competir aqui e a todos que vão assistir a esse grande evento?
CB: Aos que vão competir que desfrutem deste momento mágico porque nós brasileiros somos excelentes torcedores e imagino o quanto isso fará diferença em algumas modalidades. Às pessoas que estarão assistindo este evento, o que eu posso dizer é que é um evento fantástico. Um momento mágico. O país unido pelo esporte. Acredito que serão dias que ninguém vai jamais esquecer.

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