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17/07/2013

Dedicação e coragem de Alessandro Zanardi inspiram a paraciclista Jady Malavazzi

Italiano deu a volta por cima após sofrer grave acidente. Brasileira segue exemplo do ídolo: “Atletas como Zanardi nos instigam a sempre buscar mais”

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Zanardi em ação na pista de Brands Hatch, onde foram disputadas as provas de estrada em Londres 2012 (Foto: alex-zanardi.com)

Uma das maiores surpresas de Londres 2012, quando estreou em Jogos Paralímpicos aos 45 anos e conquistou duas medalhas de ouro e uma de prata, o italiano Alessandro Zanardi é um exemplo de dedicação, perseverança e coragem. O ex-piloto de Fórmula 1 e bicampeão da F-Indy que teve as duas pernas amputadas ao sofrer um grave acidente em 2001 conheceu o paraciclismo por acaso em 2007, ano em que uma brasileirinha de apenas 12 anos sofria um acidente que a deixaria paraplégica.

Zanardi e a paranaense Jady Malavazzi, hoje com 18 anos, moram muito longe um do outro e ainda não se conhecem pessoalmente, mas têm muita coisa em comum. A força de vontade, a determinação, a irreverência e a simpatia são características dos dois atletas que fizeram do paraciclismo o seu esporte favorito. Mas enquanto ele alcançou a glória em Londres 2012, ela sonha em seguir os passos do ídolo e estrear em Jogos Paralímpicos no Rio, em 2016™, com um pódio.

“Atletas como Zanardi nos instigam a sempre buscar mais e ver o quanto a sua dedicação influencia nos resultados. Ele fez história pilotando carros potentes e hoje está se tornando um mito no esporte paralímpico. Espero conseguir me tornar uma grande atleta como ele”, disse a jovem de Jandaia do Sul (PR).

Jady iniciou a sua recuperação após o grave acidente de carro jogando basquete em cadeira de rodas e fazendo natação, esportes que praticou por dois anos, até conhecer o paraciclismo em 2010. No ano seguinte, ela disputou os Jogos Parapan-americanos de Guadalajara, sua primeira competição internacional e o resultado foi surpreendente.

“Foi inesperada a minha convocação e mais inesperada ainda a conquista da medalha de prata”, contou a jovem, que estuda Arquitetura e Urbanismo na FAAP, em São Paulo, graças a uma bolsa de estudos conquistada pelo seu esforço no esporte.

Zanardi e Jady disputam a mesma classe do paraciclismo, para atletas que competem usando um triciclo movido pelas mãos, chamado de handbike. O carismático italiano conheceu o esporte há sete anos e se sentiu obrigado a encerrar a carreira no automobilismo (disputou o Mundial de Turismo até 2009) para se dedicar exclusivamente à sua nova paixão.

“Conheci o esporte paralímpico por acaso. Em 2007, eu dirigia para ir para casa quando parei num posto de gasolina e conheci o Vittorio Podestà (medalhista paralímpico em Pequim 2008 e Londres 2012). Ficamos amigos imediatamente. Fiquei curioso e pouco tempo depois eu estava em Nova Iorque para fazer uma palestra na mesma época da maratona. Não tive duvidas, liguei para o Vittorio e me inscrevi na prova. Eu só queria participar, me divertir. Gostei tanto que não parei mais”, contou Zanardi, em entrevista exclusiva ao site rio2016.com.

Jady se esforça em uma prova da Copa do Mundo de paraciclismo de estrada em foto tirada pelo amigo e atleta Eduardo Câmara

A primeira experiência no paraciclismo foi tão empolgante para ele que o esporte nunca mais saiu da sua vida. “Até 2009 eu ainda estava envolvido com o esporte a motor. Sabia que para ter sucesso eu precisava levar o paraciclismo muito a sério, então encerrei a minha carreira no automobilismo. Na vida você tem que seguir o seu coração e foi o que eu fiz. Decidi que o ano de 2010 seria a minha primeira temporada competitiva. No início meus resultados eram ruins, mas tive a coragem de treinar e treinar até conseguir as primeiras vitórias”, afirmou.

Para Zanardi, a estreia em uma edição dos Jogos Paralímpicos vai ficar guardada para sempre. “Lembro-me de todos os detalhes de todos os dias em Londres. Desde que saí do aeroporto e recebi o passe para entrar na Vila Paralímpica, todos os momentos foram incríveis. Eu sabia que estava muito bem preparado. Estava em paz comigo mesmo. Vencer ou não vencer não era importante. O importante é que eu sabia que faria o meu melhor. O esporte a motor era a coisa mais importante da minha vida. Acreditava que não dava para ser mais feliz. Aí veio a medalha de ouro, o Hino Nacional no pódio...”, resumiu.

Sobre a possibilidade de competir na primeira edição dos Jogos Olímpicos na América do Sul, Zanardi foi taxativo: fará de tudo para estar no melhor da sua forma no Rio 2016™.

“Competi no Rio na F-Indy em 1996, 97 e 98. Em um desses anos eu conquistei a pole position e lembro bem quando um público de 130 mil espectadores gritou o meu nome. Em 2013 está completando exatamente dez anos da minha última visita à cidade e já estou com saudade. Em 2016 vocês terão a oportunidade de mostrar o que são capazes de fazer e acredito que tanto nos Jogos Olímpicos quanto nos Paralímpicos vocês vão conseguir levar muita inspiração para muita gente”, opinou Zanardi.

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