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02/05/2014

Atletas apostam no crescimento da paracanoagem após estreia nos Jogos Rio 2016

Expectativa é que inclusão no Programa Paralímpico traga mais visibilidade e popularidade ao esporte

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Tetracampeão mundial, Fernando Fernandes é forte candidato a medalha nos Jogos Rio 2016 (Foto: Comitê Paralímpico Brasileiro)

Será uma estreia em grande estilo. Em pouco mais de dois anos, a paracanoagem será disputada pela primeira vez em uma edição dos Jogos Paralímpicos. Cercada pelo Corcovado, a Pedra da Gávea e o Morro Dois Irmãos, a Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, promete ser o palco perfeito para a celebração deste marco histórico. E, mais do que isso, uma oportunidade para o esporte aumentar sua visibilidade e ajudar a mudar a percepção em relação às pessoas com deficiência no país.

“Queremos passar a visão de que praticamos um esporte sério, com treinamento rigoroso. Espero, principalmente, que mais gente se interesse pelo esporte e que o Brasil ganhe novos atletas. E também que possamos atrair o interesse de mais patrocinadores, porque nossos equipamentos, como os remos e os barcos, são caros”, conta a brasileira Marta Ferreira, bicampeã mundial na prova K-1 200m TA, na qual tronco e braços podem ser utilizados para impulsionar o caiaque.

Fernando Fernandes dono de quatro títulos mundiais na prova K-1 200m A, disputada por atletas que utilizam apenas os braços na remada dos caiaques, compartilha a mesma opinião. Para ele, além de colocar o esporte em evidência, os atletas vão passar o recado de que todos são capazes de fazer o espetáculo acontecer.

“As pessoas pararam de enxergar deficientes e passaram a ver pessoas que têm alguma deficiência realizando esporte de uma forma intensa, em alto rendimento e de forma magnífica. Os Jogos colocam o atleta Paralímpico na condição de super-humano, e isso nos traz muita confiança e também atrai visibilidade”, afirma Fernando.

Bicampeã mundial, Marta Ferreira conta com o apoio dos torcedores brasileiros para brilhar no Rio 2016 (Foto: Confederação Brasileira de Canoagem)

 

O Brasil é um dos países mais bem sucedidos na história da paracanoagem. Nas quatro edições do Campeonato Mundial, o país já conquistou sete medalhas de ouro, ficando atrás apenas da Grã-Bretanha, que tem onze. Além de Fernando e Marta, Caio de Carvalho é o terceiro campeão mundial brasileiro, na prova V-1 200m LTA.

“A nossa meta é ajudar a colocar o Brasil no topo do quadro de medalhas. Remar na Lagoa com o Cristo de braços abertos para a gente vai ser muito inspirador, ainda mais com toda aquela galera na arquibancada nos empurrando. É como a gente costuma dizer: a torcida atua como se fosse mais um braço pra ajudar a gente nas remadas”, conta Marta.

Tetracampeão mundial, Fernando garante que a conquista da medalha de ouro dos Jogos Rio 2016 é uma obsessão que faz parte do seu dia a dia.

“Isso passa pela minha cabeça sempre, e eu estou focado em treinar todos os dias até chegar lá, em busca de medalha”, diz, com confiança, o canoísta.

A preparação dos brasileiros para os Jogos Rio 2016 ganhou recentemente um importante reforço, com a inauguração, neste mês, do Centro de Treinamento da Equipe Permanente de Paracanoagem, em São Paulo. A estrutura conta com garagem, vestiários adaptados, piscinas e sala de musculação.

Na última competição disputada, a paracanoagem brasileira deu mais uma prova de força no cenário internacional. No Campeonato Sul-Americano, disputado no começo de abril, em Montevidéu, no Uruguai, todos os seis representantes brasileiros - Andréa Pontes, Marta Ferreira, Luis Carlos Cardoso, Caio de Carvalho, Fernando Fernandes e Ronald Patrick – voltaram ao país com a medalha de ouro.

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