Entrevistas

Tania Braga

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Com apenas 15 anos, Tania Braga já queria construir um futuro mais sustentável para o planeta. Hoje, com uma trajetória profissional que soma mais de 20 anos, a gerente-geral de Sustentabilidade, Acessibilidade e Legado do Comitê Rio 2016 ajuda a aplicar o “pensar sustentável” em todo o planejamento dos Jogos. Formada em economia, com mestrado em Ciência Ambiental pela USP e doutorado em Economia Aplicada pela Unicamp, ela traça um panorama da sua área, que vive agora um momento decisivo.

Confira a entrevista com essa mineira de coração, que chegou ao Comitê Organizador Rio 2016 com a missão de fazer dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos um exemplo para todo o mundo.

Rio 2016: Além dos Jogos, como o esporte faz parte da sua vida?

Tânia Braga: Quando criança, eu praticava ginástica olímpica e sou eterna apaixonada pelo esporte. Atualmente, a atividade que pratico é natação.

Rio 2016: Como foi o início de seu envolvimento com as questões que você trabalha hoje?

TB: Eu comecei com 15 anos de idade, participando de movimentos sociais ambientalistas. Trabalhava com iniciativas de educação ambiental em grupos voluntários.

Rio 2016: O que a motivou a se voluntariar em projetos sociais?

TB: É simplesmente uma questão de se sentir responsável por fazer algo significativo para promover as transformações necessárias para que a gente possa viver num futuro sustentável. Pensar a longo prazo, mais do que se ater ao que estamos fazendo agora. Acho que essa sempre foi a minha busca: ajudar as pessoas a pensar no efeito de longo prazo do que cada um faz.

Rio 2016: E depois da graduação?

TB: Depois de formada, trabalhei em Organizações Não Governamentais (ONGs) ambientalistas, profissionalmente. Na sequencia, atuei como professora universitária e como consultora para governos, sempre na interface entre a sustentabilidade e o planejamento urbano.

Rio 2016: Como os Jogos Rio 2016 entraram na sua trajetória?

TB: Estava há seis anos fora do país, trabalhando na Suíça numa fundação chamada Academia Internacional do Esporte, Ciência e Tecnologia. Essa fundação é criada pelo COI [Comitê Olímpico Internacional] em conjunto com seis universidades suíças, com o objetivo de fazer a ponte entre o esporte e a ciência. Lá, eu era responsável pela área de sustentabilidade e dava aulas no mestrado em Gestão do Esporte. Eu já ajudava em eventos esportivos a pensar em como integrar a sustentabilidade nas atividades deles, buscando um fundo de conhecimento científico e trazendo esse apoio para o diálogo entre esporte e ciência. Voltei, então, para o Brasil em março de 2012 para trabalhar no Comitê.

Rio 2016: Qual é a principal missão da sua equipe no Comitê Organizador?

TB: O objetivo da minha equipe é contribuir para o esforço de integrar sustentabilidade em todos os aspectos do planejamento dos Jogos. É importante dizer que os Jogos não têm um programa de Sustentabilidade à parte, os Jogos são pensados de forma sustentável. O nosso maior objetivo é que a responsabilidade ambiental, social e econômica esteja presente em tudo. Por isso que a área de sustentabilidade está inserida na diretoria de planejamento.

Rio 2016: No Comitê, sua área é composta por Sustentabilidade, Acessibilidade e Legado. Como é feita essa divisão?

TB: A gente entende que essas três coisas andam muito próximas. Enquanto a sustentabilidade é a forma de fazer, o legado é o resultado que temos depois. Pra ser sustentável, tem que durar. Então a conexão com o legado é muito imediata. A acessibilidade é outro ponto muito importante e, para o Rio de Janeiro, é também uma forma de legado inegável. Temos um capítulo inteiro dedicado à acessibilidade no Plano de Gestão de Sustentabilidade.

Rio 2016: Como foi construído o Plano de Gestão de Sustentabilidade?

TB: O Plano de Gestão de Sustentabilidade é um trabalho fruto da colaboração, feito a muitas mãos, em parceria com os três níveis de governo. É valido para os Jogos como um todo, indo além da atuação do Comitê. Ele define todas as linhas mestras, as diretrizes e os princípios de sustentabilidade dos Jogos, baseado nos três pilares – planeta, pessoas e prosperidade. Por exemplo, uma grande inovação desses Jogos é a forma como vamos trabalhar com toda a cadeia de produção, contribuindo para melhorar os padrões de sustentabilidade da indústria e dos serviços no nosso país.

Rio 2016: O que muda durante os Jogos?

TB: O nosso ‘Games-time’ é agora. Principalmente esse ano e ano que vem, porque é neste período que as decisões estão sendo tomadas. No momento da entrega dos Jogos, em 2016, o nosso trabalho vai ser basicamente monitoramento e acompanhamento se está tudo em conformidade e se não há necessidade de nenhum tipo de correção de rumos. Também teremos um papel importante na prevenção de acidentes e emergências ambientais.

Rio 2016: Que tipo de mensagem o Rio 2016 quer passar em relação à sustentabilidade?

TB: Muita gente confunde sustentabilidade só com a parte ambiental. Pensar sustentável é buscar o equilíbrio entre o ambiental, o social e o econômico em todas as decisões. Outra mensagem importante é que sustentabilidade não custa mais caro. Se for integrada desde o início, ela ajuda a ganhar eficiência e aí reduz custos. Pensar sustentável é fazer melhor usando menos recursos e trazendo benefícios positivos para as pessoas. Precisamos dar o exemplo, para servirmos de inspiração para esses bilhões de pessoas que vão acompanhar os nossos Jogos. 

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