Entrevistas

Fernando Cotrim

Enviar para um amigo

O diretor de Suprimentos do Rio 2016, Fernando Cotrim (Foto: Rio 2016™/Marcelo Vallim)

Maior e mais complexo evento do planeta, os Jogos Olímpicos e Paralímpicos podem e devem ser um indutor de desenvolvimento para os mais diversos setores da economia. Muito além da cidade-sede, as oportunidades movimentam o país anfitrião de norte a sul e fazem dos Jogos um marco, mesmo em mercados já portentosos como o brasileiro.

Responsável pelo desenvolvimento da cadeia de suprimentos do Comitê Organizador Rio 2016™, que envolve desde o mapeamento das demandas até o descarte dos materiais utilizados, passando pelo planejamento, contratação, logística, além da operacionalização dos contratos de materiais e serviços, entre outras fases, o diretor Fernando Cotrim encara o maior desafio de sua carreira.

A missão é garantir a disponibilidade de 30 milhões de itens para os Jogos, incluindo nesta conta mais de um milhão de peças somente em equipamentos esportivos. De caneta esferográfica a navio, passando por equipamentos esportivos, móveis até alimentos para cavalos, a variedade de artigos tem escala sem paralelo. A operação envolve mais de 60mil metros quadrados de armazenagem – divididos entre as regiões da Barra, de Deodoro e do Maracanã - e mais de um mil profissionais terceirizados.

“Precisamos desenvolver o mercado fornecedor brasileiro em termos de qualidade de produtos e serviços para grandes eventos e buscar um novo patamar em relação às práticas sustentáveis”, conta Cotrim. “Temos um grande desafio de montar uma cadeia de suprimentos temporária para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, mas que ainda assim seja sólida e sustentável para o país. Para isso, precisamos contar com uma base de fornecedores preparada para entregar os Jogos com excelência”, conta o diretor.

Paulistano de nascimento, formado em administração pela USP e apaixonado por esportes, como espectador e praticante, Cotrim ocupou cargos executivos em empresas como Braskem e Usiminas. Trabalhou no Chile e no México antes de realizar o sonho olímpico. No Comitê desde 2011, liderou a estruturação de políticas e processos, e o mapeamento das demandas e dos serviços logísticos, pautados nas melhores práticas das empresas de capital aberto. “Ter a oportunidade de participar da construção de um projeto como este e poder influenciar na mudança física, econômica e cultural da cidade e do país é um sentimento difícil de traduzir em palavras.”

Mais do que encontrar fornecedores, equipe é focada no desenvolvimento do mercado

Em julho deste ano, o Comitê Rio 2016™ assinou um acordo de cooperação técnica com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) para o desenvolvimento e qualificação de potenciais fornecedores em todo o Brasil, de modo a atender às diversas demandas do evento. O projeto, chamado “Sebrae No Pódio”, visa fomentar, de modo sustentável, as cadeias produtivas nacionais (confira a matéria completa aqui).

“Acreditamos que os Jogos são uma excelente oportunidade para estimular mercados menos desenvolvidos no Brasil. Nesse sentido, através da parceria com o Sebrae, pretendemos incentivar cada vez mais o empreendedorismo, que consideramos uma importante alavanca de crescimento para o país”, afirma.

Ainda em 2013, sua equipe também vai dar a partida no Programa Cadeia de Suprimentos Sustentável, que inclui o cronograma de suprimentos, ou seja, a comunicação antecipada de todas as necessidades de materiais e serviços para a realização do evento de agora até 2016. Além disso, haverá o lançamento do Portal de Suprimentos, que foi desenvolvido construído sob os pilares da transparência e da sustentabilidade social, econômica e ambiental, e será a principal ferramenta de comunicação com o mercado fornecedor.

“Nesta fase planejamento, nosso foco está na comunicação de nossas necessidades e requerimentos. Nos anos de 2014 e 2015, serão negociados cerca de 80% do volume a ser comprado. Estabeleceremos catálogos de produtos e serviços e faremos os últimos ajustes no planejamento logístico antes deste entrar em operação. Entre 2015 e 2016, focaremos esforços na gestão dos contratos, dos fornecedores e da cadeia logística, para garantir que tudo caminhe de acordo com o planejado”, explica o diretor.

Sustentabilidade desde o planejamento

Reforçando os compromissos assumidos ainda na candidatura, a sustentabilidade é parte integrante do Programa da Cadeia de Suprimentos: gestão de resíduos e embalagens, minimização na utilização substâncias nocivas, uso consciente de energia e água, monitoramento de práticas trabalhistas e desenvolvimento do mercado local, entre outros. Todos estes temas são incorporados a outros critérios como preço e qualidade na tomada das decisões.

“Após os Jogos e até 2017, estaremos em fase de dissolução. Os contratos se encerram e passamos a operar a venda de bens ativos, as doações e as devoluções. Este planejamento da dissolução, ou seja, o que vai ser feito com o item após ser utilizado nos Jogos, já é pensado antes da compra e faz parte do custo total de aquisição, que é metodologia que utilizamos nas decisões de compras. A meta é de 100% de recuperação, eliminação e aproveitamento de mercadorias e resíduos”, completa.

Além de reduzir o impacto no meio ambiente e reduzir ao máximo o volume de resíduo após a realização dos Jogos, a iniciativa procura ainda informar o produtor sobre como buscar alternativas mais sustentáveis para os seus produtos.

“As empresas serão convidadas a participar de treinamentos e workshops sobre diversos temas demandados nos processos de concorrência. Muitas empresas ainda tem a percepção de que produtos sustentáveis custam mais caro, quando na verdade, muitas vezes o preço do produto ou serviço pode ser maior, mas as reduções de custos e desperdícios na cadeia de valor através da utilização de práticas sustentáveis podem representar um custo total de aquisição menor”, conclui o diretor.
 

Enviar para um amigo

Filtrar em Entrevistas

Newsletter

Cadastre-se e receba por e-mail as últimas notícias do Rio 2016.

+